Feliz por estes dias maravilhosos de sol... mas (mais que) farta deste calor tropical, que não deixa dormir nem respirar. Que venha o Outono, rapidamente e em força. Que já tenho saudades de chás quentes, camisolas de lã e roupa mais quente.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
à descoberta dos limites
Tenho dias em que não sei que lhe diga, nem sei o que quero que me diga. Que a luz dos olhos, que tanto lhe ilumina o sorriso, se transforma em teimosia, numa luta até ao limite. Que me desgasta. Ser mãe é isso mesmo. Quando eles descobrem o mundo testam as fronteiras, os limites. Temos de nos saber impor. E por vezes desgasta. Quando o sono e a birra falam mais alto. Quando a luz dos olhos se transfigura em choro e mau génio. Ontem foi um desses dias. Um desses finais de tarde, em que mais parecia termos entrado em loop e tudo se repetia, pela negativa, uma e outra e ainda outra vez. Foi para a cama sem jantar num transe de choradeira e nem eu jantei, incomodada que estava. Mas o que se passa afinal? Já nem ele certamente sabia.
O que vale é que hoje nasceu outro dia. E novamente aquela luz no olhar, aquele sorriso aberto, pelo qual me apaixono sem limites mais do que as palavras conseguem descrever. Porque ao mesmo tempo que testam os limites também abandonam o que os incomoda e voltam a ser os mais doces do mundo. Hoje novamente aquele bom dia especial. Aquele olhar apaixonado pela vida quando me vê abrir a janela do quarto para deixar a luz entrar. Para mais um dia de brincadeira. Assim seja, pela lei da compensação.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
de manhã cedo no escritório
Porque quando o sol brilha lá fora, tudo se faz com energia renovada. Desde manhã cedo. Beijos dados, mimos feitos, bebé na escola. Está na altura de me ligar ao (resto) do mundo e trabalhar já hoje nos passos que quero dar amanhã. Que venha Outubro renovado, depois de um Setembro mais turbulento do que eu imaginava.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
flying away
Bilhetes (quase) comprados para atravessar meio mundo e apresentar dois irmãos que nunca se viram a não ser pelo ecrã de um computador. Uma reunião familiar surpresa, improvável, mas carregada de sentido.
sobre as insónias III
E depois, basta um simples clique e, numa onda de motivação, arregaço as mangas disposta a lutar por aquilo que me tira o sono, que me atormenta. Porque a vida é única. É one shot. Porque não há ensaios para depois correr bem. Nem sempre fui uma pessoa de listas, mas agora sou. Listas com objectivos. Para cumprir. Para avançar. Andar para a frente. Combater a inércia escondida que o medo alimenta. Vamos lá. De cabeça erguida, como sempre tive. Se tantos e tão mais difíceis desafios já ultrapassei, este será mais um deles. Para depois poder respirar.
sobre as insónias II
Talvez o problema seja guardar demasiado as palavras cá dentro. Não as deixar sair. Seja de que forma for. Para verbalizar. Para as ler fora de mim. Para lhes dar a devida importância. Nem de mais, nem de menos. Eu guardo-as. Penso-as. Vejo-as a pairar. Talvez as escreva e diga menos do que devia. Fale pouco delas e do que exprimem. Do que guardam em si. Do que encerram. Porque a energia não flui. Bloqueia. Bloqueia-me. São medos, receios, angústias. Nitidamente novos desafios, contrários aos que já tive. Como se a vida fosse um puzzle, agora virado do avesso. Para me fazer aprender? Não sei, quero acreditar que sim. Porque o que antes tinha por seguro é o que de momento não tenho. O que me deixa sem chão. Sem sono. Sem descanso. E o que antes não tinha e tanto ansiava é agora o que me enche a alma e me dá força para continuar todos os dias. E tudo isto de uma nitidez assustadora. Quase inexplicável de tão óbvia.
Não pedi que assim fosse. Ou melhor, pedi o que não tinha. Não me caiu do céu e muito tive de fazer por isso. E consegui. Não sem dor. Não de forma imaculável. Sempre a percorrer uma estrada sinuosa, a tentar afastar-me de barreiras cada vez mais duras. Se era o preço a pagar, paguei. E até demasiado elevado por quem queria o mais básico da vida: a felicidade de ter um filho. E tive-a. Ninguém ma tira. Todos os dias se renova. Se completa. Me faz querer ser uma pessoa melhor. E, quando tudo parecia ter acalmado, a tempestade limpou as esperanças e deixou-nos sem chão. Um projecto muito querido de trabalho que terminou de forma abrupta. Com dor. Com noites sem dormir. Com muitas lágrimas choradas de desespero. Soube bem recomeçar do zero. Poder recomeçar de novo sem o lastro pesado daquilo que nos angustiava. Mas a engrenagem tem demorado, num contexto que não ajuda. A engrenagem tem rodado mais devagar que os desejos e as necessidades. Por muito que a queiramos mais rápida. Mais ágil. Mais voltada para o mundo em que é precisa. E é esta aprendizagem de lentidão que me colhe. Que me desassossega. Que me comove. Que me dá cabelos brancos. Porque a certeza do trabalho foi, desde sempre, algo permanente da minha vida.
Esta inversão tem-me feito recolher-me a mim, sem dúvida. Não é algo de que fale em conversa de café. Que partilhe. Que comente. É algo óbvio aos que me rodeiam e me conhecem. Não há porque esconder tais realidade. Mas disserto pouco, em alta voz, sobre tais problema. Talvez deva fazê-lo mais. Para tirar as palavras cá de dentro. Para lhes dar outra dinâmica. Mas nem sempre é fácil. Não mesmo.
sobre as insónias
Porque é que à noite tudo parece diferente? Toma outra proporção? Parece muito mais grave? Não sei, mas é assim. Há noites em que os mais ínfimos detalhes não me deixam dormir. Me mantêm desperta. Me alimentam a ansiedade. Como se me bloqueassem a mente e me impedissem de descansar. Porque na realidade impedem. E o mundo parece que me vai engolir por inteiro, com o final logo ali, à beira dos meus pés. O cansaço acaba por ser maior. Os olhos pesam e fecham. A cabeça não desliga mas vagueia por outros universos. A imaginação mistura tudo e cria filmes do fantástico enquanto durmo.
E depois o despertador toca. Pés no chão. Atravesso a casa em silêncio e o mar entra-me pela varanda. Com a luz e o sol. E tudo parece subitamente mais simples. Mais ultrapassável. Nasce um novo dia com optimismo renovado. De quem tem o essencial por muito que ache que não. E a água do duche lava em definitivo os receios papões do escuro de há umas horas. Remete-os à sua qualidade de questões ultrapassáveis e não definitivas. E um novo dia se joga. Até me deitar novamente. E tudo recomeçar, como se ficasse preso no tempo.
Ando desejosa de quebrar este ciclo. Só ainda não descobri muito bem como.
voltar ao meu mundo
Não sei se é da idade. Talvez seja. Mas prefiro acreditar que é de ter um estado de espírito diferente. De estar noutro plano. Noutro ciclo. Noutra fase de vida. De ter outros objectivos. De viver noutra sintonia. Sem dúvida muito mais calma. Depois de dois dias de festa intensa, entre um baptizado e um casamento, suspiro pelo silêncio da minha casa. Por me deitar no sofá a ler. Por ouvir as gargalhadas do meu filho aos saltos na cama. Pelo silêncio quando sou a primeira a acordar, de manhã cedo, com o imenso mar a entrar-me pelas janelas adentro. Na minha cabeça ainda ressoa a vivacidade da festa, mas anseio pelo final do dia, meter a chave à porta, e refugiar-me no meu mundo. Onde me sinto segura e em paz.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
na loucura dos dias
Há dias em que penso que não tenho muito de inventar para escrever um livro absolutamente louco e surreal. Basta olhar em redor. Sentar-me e escrever a história das pessoas mais próximas. Que me rodeiam. Quando paro para pensar, por vezes, é tudo tão fora do normal, que até custa a acreditar que acontece de facto. Não dita vida real e não em romances de cordel.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
sobre ouvir e ignorar
Reconheço que por vezes nem a mim agora me reconheço. Do muito que tenho ouvido, nada fiz. Cada vez mais ouço e calo. Não só calo, afasto-me. O que antes me deixaria à beira de um ataque de nervos, agora apenas me faz respirar fundo com uma nova certeza: do que não me interessa, afasto-me. Deixei de querer mudar esse mundo. E não quero pessoas assim junto ao mim. Não as mudo e não as quero. Só pessoas felizes. Essas sim. Porque, como li outro dia no Facebook, gente feliz não chateia. Nem mais.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
mergulhar noutras vidas
Ah nem mais! Quando me apetece fugir da realidade. Dos problemas. Dar largas à imaginação. Viver e reviver outras vidas. Outras histórias. Outros romances. Mergulho nas páginas dos livros e dali não saio. Só mesmo obrigada. É um escape que uso desde que aprendi a ler. Um truque que agradeço, desde sempre, aos meus pais. Que muito liam e me contagiaram com esta paixão luminosa. Absolutamente viciante. Que era a solução para os tempos livres de uma filha única que devorava palavras. Ainda hoje sou assim - apesar de já não ser filha única. E espero nunca deixar de o ser.
todos os dias
Porque todos os dias há um dia novo a nascer. Uma nova oportunidade. Faça sol ou chuva. Com nevoeiro ou calor. Porque todos os dias, pela manhã, há que esquecer as preocupações que não deixam dormir. Que toldam o pensamento. Há que substituir a dúvida pelo sorriso e pela energia. Há que deixar que a água do duche leve o que nos pesa. Tornando-nos mais leves. Mais receptivos a tudo o que de bom a vida nos pode dar. Porque todos os dias há uma nova hipótese de relativizar o que de facto não tem importância. Encontrar novas soluções. Superar barreiras, obstáculos. Ultrapassar problemas. Porque todos os dias há um novo dia para aquilo que quisermos que este seja. Porque isso depende intrinsecamente de nós. Do nosso ser e da vontade mais íntima. Porque todos os dias há um novo tom de branco que leva o negrume que às vezes nos arrefece a alma. E hoje é mais um desses dias.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
palavras que não são minhas...
... mas que poderiam muito bem ser. Porque é exactamente o que eu sinto. Cada vez mais agradecida por conseguir tirar boas lições de tudo o que me acontece na vida.
http://asnovenomeublogue.clix.pt/2014/09/da-substancia.html
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