sábado, 13 de setembro de 2014

se me lessem o pensamento

A afinar a arte de entrar muda e sair calada... (E mandar mentalmente à merda, com um sorriso)


ah Setembro

Setembro tem sido um mês absolutamente revelador. Do bom. Do mau. De caminhos a seguir. Do que deitar fora. Tem deixado à mostra a espinha dorsal de um presente que andava escondido. Que exigia soluções. Tem sido sofrido mas necessário. Duro. Por vezes demasiado duro. Mas, quando olhado com distanciamento, real. A afinar as peças do puzzle sem panos que as tapem. Sem falsidades. Cru e nu. Faz falta. Fazia falta. Podia era doer um pouco menos. Só um pouco.



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

na luta dos dias

E depois se há dias. Semanas. Meses. Em que não me apetece escrever nada. Outras há em que não chegam os segundos para deitar tudo cá para fora. Numa espécie de catarse. Porque não aguento mais as palavras cá dentro. Porque me enchem. Porque pululam de sentido. Quase como se tivessem uma voz.

Porque a vida tem sido uma luta diária constante. Às vezes sem tempo para respirar. Para pensar. Em que é preciso apenas agir. E agir. Para encontrar novas soluções. Para afastar dias cinzentos. Para exterminar pensamentos negativos. A sensação de estar constantemente de armas na mão, a desbravar terreno, pesa. Porque há alturas em que tudo acontece demasiado depressa. Como se não tivesse tempo para interiorizar uma lição e já estivesse a caminho de outra.

Já não me pergunto porquê. Antes sim, agora já não. Simplesmente porque a vida é assim. E porque, por entre tanta luta, também há dias (muito) felizes, momentos absolutamente maravilhosos, memórias que não têm preço. Porque a felicidade não é, de facto, um porto ao qual consigamos chegar, mas um caminho que trilhamos todos os dias. Uma atitude perante a vida. Um olhar para o que nos rodeia.

Ser positivo é um modo de vida. Mas ser positivo também é ter dias cinzentos. Ter insónias. É uma batalha na procura das soluções ao invés de uma concentração nos problemas. Porque estes já lá estão, seja de que natureza forem. Não podemos apagar um problema. Podemos tentar contorná-lo, resolvê-lo, minimizar os seus efeitos. E é nisto que me concentro. Hoje e sempre. Porque depois dos dias em que só apetece esconder a cabeça debaixo da almofada, segue-se o respirar fundo, arregaçar as mangas e seguir em frente. Porque a vida é demasiado curta para olharmos apenas para trás.





dores de crescimento

Ser mãe é, de facto, uma viagem de descoberta extraordinária. A maior e mais profunda que podemos ter na vida. A que mais nos enriquece. Nos faz descobrir novos sentimentos. Novas pessoas dentro de nós. E dentro daquele ser absolutamente maravilhoso que nasceu de nós.

Mas é também uma viagem tortuosa deixar um filho crescer. Perceber que não lhe podemos satisfazer sempre o sorriso e a vontade. Que, para o bem dele, há que o deixar ir, ajudá-lo nesse caminho, ampará-lo mas, deixá-lo ir sozinho. Porque um dia também fomos, quando crianças, e isso só nos fez bem.

Gosto que o meu filho cresça comigo, mas sobretudo com o sorriso aberto que mostra aos outros. Com os braços que dá, genuinamente, para que lhe peguem e descobrir outras pessoas. Novas brincadeiras. Que descubra o mundo infindável que o rodeia, em todas as suas tonalidades. Que aprenda, desde cedo, a lidar com diversos estados de espírito e sentimentos.

E foi esta facilidade com que se relaciona com o que o rodeia que me encheu de certezas vãs, que ontem se desmoronaram em meio segundo. No primeiro dia de creche. Um choro de abandono que nunca lhe tinha ouvido, por entre os mil choros que lhe reconheço sem ter de lhe ver a expressão. Uma irracionalidade apoderou-se de mim e só me apeteceu apertá-lo junto a mim: não, não, não, achas que eu te abandonava? Nunca. Morria antes disso. É só uma nova fase, da tua ainda curta vida, que tenho a certeza que vais adorar, apesar de hoje tudo te ser estranho.

Custou-lhe a ele e custou-me a mim. Que o fiquei a ouvir, sem que me visse, a tentar não entrar sala dentro, pegar nele e levá-lo de volta comigo para casa. Não. Não pode ser. Com o passar das horas os sentimentos acalmaram. A ansiedade amainou. Mas a descoberta do dia ainda agora me incomoda. O desespero dele. Genuíno. Era algo a que nunca tinha assistido.

Mas ser mãe é isto também. Deixá-lo crescer. Mesmo ele não vendo que eu estou logo ali ao lado para o agarrar, caso a queda deixe mais que uns meros arranhões sem memória. E isso, às vezes, dói.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

cinzento

Há dias e dias. E dias que deviam acabar assim que começam. Dias em que os pressentimentos - ainda um pouco sem explicação - acabam por ser materializar naquilo que não queremos. Dias em vários tons de cinzento. Hoje é um deles. Ainda não vai a meio e já devia ter acabado. Começou mal ontem, continuou mal. Enfim. Amanhã será menos cinza e com mais raios de sol. Ou pelo menos assim o espero.





sexta-feira, 5 de setembro de 2014

inner peace

Cinco dias aparentemente iguais. Mas diferentes. Interiormente muito diferentes. De uma paz muito maior. Nem tudo é pacífico, mas não há como absorver e ler pequenos detalhes. Aparentemente insignificantes. Mas que mostram como tudo o que nos rodeia nos responde em sintonia com a forma como actuamos. Que tudo o que damos, recebemos, de alguma forma, de volta. Cinco dias de sorrisos. De tentativas de compreensão daquilo que por vezes nos escapa. Os primeiros cinco, de muitos mais.




quinta-feira, 4 de setembro de 2014

sobre a Nonô

(ou sobre a puta da injustiça de vida - e sim, agora posso escrever asneiras, daquelas bem feias e cabeludas, porque há poucos temas mais tristes que uma criança ter de lutar e morrer com um cancro!)

Não tenho palavras. Não a conhecia pessoalmente. Conhecia quem conhecia. Não há muito a dizer. Aliás, não há nada a dizer. Dizer para quê? Para quê? O cancro choca-me. Alguém sofrer com um cancro toca-me profundamente porque perdi um pai assim. Mas abrir o Facebook e perceber que uma criança, com cinco anos, perdeu uma luta titânica contra esta doença inqualificável, deixou-me num silêncio duro. De gelo. Cinco anos. Com as lágrimas a escorrerem-me. Com um filho de meses a dormir junto a mim e a olhá-lo placidamente. A ti nunca te vai acontecer, meu amor. Vou desejar o mais ardentemente que nunca aconteça. Vou fazer tudo por isso. Mas a verdade é que não está nas minhas mãos. Cinco anos. Como não esteve nas mãos da mãe da Nôno. Que não conheço. Mas muito admiro. O céu ganhou uma estrela especial. Ganhou? Sabe Deus a que custo. E o sofrimento de tudo. Que não se mede. Que corrói. Que desgasta. Que nos deixa lívidos. Como é que uma criança com cinco anos é um exemplo de luta e coragem?! Não é suposto. É suposto viver em pleno a sua inocência. Usufruir ainda o que a vida tem de bom para lhe dar. De puro. Continuo sem palavras. Acho que nem as quero ter. Preferia que a Leonor fosse apenas uma menina inocente, desconhecida, com as suas birras e sorrisos de criança. Não um exemplo que nos dói, a nós adultos. O que não faltam são estrelas no céu. Não precisamos de mais. Pelo menos não destas.



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ontem, ao almoço

Gostei da escolha. Gostei do sítio. Gostei da comida. Gostei da companhia. Foi um bom princípio, outra vez...





terça-feira, 2 de setembro de 2014

setembro

Setembro é mês de recomeços. Dos meus recomeços. De fazer um balanço do que ano (de todos) me trouxe até agora e do que quero que mude, no meu 'ano novo', a partir de agora.
Setembro é o meu mês de abrir a janela e respirar ar puro. De encher os pulmões de motivação. Da minha energia. De acreditar, mais do que nunca, que o mundo nos traz as boas energias que emanamos aos outros.
Este Setembro é um mês (verdadeiramente) especial. Depois de uma tormenta que abanou e afundou alicerces que não eram sólidos. A quem carecia justificação e solidez. A tão ansiada paz de espírito que finalmente chegou, por entre os laivos cinzentos de nuvens que pairaram durante demasiado tempo. Que enche a alma e a memória. Que dá um saber especial aos momentos doces e felizes.






quinta-feira, 31 de julho de 2014

dia 1... outra vez!

Dois anos e um filho depois achei que estava mais que na altura de me voltar a mexer. Porque faz bem. Porque faz falta. Porque precisava. Por todos os motivos e mais alguns. Levantei-me de madrugada, ainda noite escura apesar de ser Verão, e lá fui. Junto ao mar. Sem pensar em mais nada a não ser em mim. A deixar a mente deambular pela imaginação enquanto o corpo ia (re)descobrindo os seus limites. O resultado foram 5 kms em 40 minutos. Nem bom, nem mau. Um ponto de partida. E amanhã haverá mais.


terça-feira, 13 de maio de 2014

sobre os nossos

Quanto mais cresço/envelhecço mais valor dou à família. Aos meus. Que são os únicos e mais importantes. Que estão sempre lá, no matter what. Os pequenos 'quês' que antes me irritavam e hoje me fazem sorrir. Porque são nossos. Só nossos. E depois há a saudades de quem está longe. Um mar de saudades de um irmão que está a estudar no estrangeiro. E dias em que só me apetece meter num avião e correr para lá abraça-lo. Falta pouco, cada vez menos.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

vida que respira

E de repente a vida respira novamente. Nada que tenha acontecido de repente. Ou de um dia para o outro. A vida respira depois de alguns meses de sufoco. De angústia. Que um túnel quase sem fim onde, aos poucos, com muita motivação e energia positiva, se começou a vislumbrar luz novamente. E uma nova luz. Pura. Renovada. Cheia de boas vibrações. De ideias frescas e de inspiração futura. Porque nada acontece por acaso - ou pelo menos eu acredito nisso - e há que aprender lições, colher frutos e seguir em frente. Sempre. Parece que 2013 finalmente fica para trás e um 'ano novo' se avizinha.




in love

Totalmente apaixonada pelas fitas para máquina fotográfica do Sítio da Xepa. E mortinha por ir buscar uma para mim.