quarta-feira, 15 de setembro de 2010

good morning sunshine


Mesmo quando lá fora o dia está cinzento e a ameaçar chover. Deixou de chover dentro de mim.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

a semelhança de três palavras


Eu vou tentar, mas não prometo que consiga. Há feridas ainda demasiado abertas. Coincidências que me magoam como bofetadas duras. Mas vou tentar. Não perguntes porquê, mas sinto que o faço um bocadinho por ti. Sempre por ti, como foi e será. Só de olhar para a capa desato logo a chorar, mas não é isso que me incomoda. É a semelhança das palavras. Porque as ouvi antes de ti. Da tua boca. Do mais fundo do teu querer, quando já a esperança se tinha ido. A angústia do que ficou por fazer que só quem está perto do fim sabe.
A tua morte pai, mudou-me a vida e mudou-me enquanto pessoa. Talvez seja isso o menos mal de tudo: eu não seria quem sou, disposta a fazer por mim e pelos outros, se não tivesse vivido tudo os dias, durante dois anos, o teu sofrimento. Se não tivesse visto os teus olhos de súplica a veres o tempo a escorrer-te pelos dedos já sem que a vontade to deixasse agarrar. Porque não havia nada a fazer. Foi uma frase que te ouvi. Aproveita a vida. Disseste-ma numa cama de hospital, a chorar. É a ela que me agarro hoje e sempre. Mesmo quando estou mais em baixo nunca me esqueço dela. Porque esquecer-me dela, seria esquecer-me de ti. E de tudo o que nós os dois passámos juntos. De todas as horas passadas - não perdidas - no corredor daquele hospital.
Há coisas em que vamos ser sempre nós os dois. E não é por tu agora não estares que eu vou desistir. Vou continuar sempre contigo. A falar. A chorar. A rir. A partilhar. Um dia mais tarde, algures, em algum lado, hei-de te poder abraçar outra vez e rirmo-nos disso. Até lá, eu vou fazer o que tu me pediste, ou me mandaste, aproveitar a vida.

conversas ao jantar


Eu: (...) E pronto basicamente tem-se passado tudo isto que te contei na última meia hora em que não me calei. Já deves estar mais que farta de me ouvir. Tolinha não é?
A I. riu-se, não me respondeu logo, abriu uma garrafa de vinho tinto e disse-me com um ar enternecido: "Agora teu olhar brilha. Encontraste um objectivo para a tua vida. Que não tem a ver com uma pessoa, tem a ver contigo. Não olhes para trás miúda. Se eu não tivesse um filho que me prendesse a este mundo já tinha tomado uma decisão semelhante há muito tempo. Eu não posso, não pelo menos enquanto ele não for homenzinho, mas tu podes."

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

...


Eu disse-lhe que queria mudar. Contei-lhe. Disse-lhe que queria parar. Que já tinha chegado ao topo dos meus objectivos. Que aprendi que quero mais na vida. Que é fácil ser feliz com pouco. Que quero esse pouco, porque é o que é de facto importante. Disse-lhe que já não encontrava motivos para não pôr um travão na vida. Para não mudar de rumo. Para não ser aquilo que quero ser. Para não seguir aquilo que vai cá dentro. Sem me importar com os outros.

Falei-lhe do vazio que se instalou no meu coração. De como me vai gelando por dentro. Da necessidade premente de dar. De dar o que quer que seja. A quem quer que seja. De saber que se calhar um bocadinho do que é meu pode fazer outra pessoa mais feliz. Porque o mundo não muda e continua a girar, como sempre, todos os dias. Mas o meu mundo pode mudar um bocadinho. Precisa de mudar. E se antes eu não sabia o que queria, agora sei. Não é a coragem que me falta; é esgotar os segundos, os minutos e as horas que restam a dar ao universo uma oportunidade de me manter no meu rumo. Senão eu vou. E mudo.

Em dez anos cheguei do zero onde queria. Passei da universidade à televisão e ao melhor jornal do país. A minha vida passa agora por outros rumos.  O importante era conseguir cá chegar. Não mais do que isso. Agora haverá certamente outros caminhos. Passará sempre pela escrita, porque essa está-me entranhada no sangue tanto quanto eu por vezes não queira. Mas passa por um mundo mais além que nunca conheci. Que nunca me dei a conhecer. E agora quero. Porque o meu pai me disse um dia que chega um momento em que pode ser tarde demais. E eu não quero chegar a esse tarde demais com lágrimas amargas do que deixei por fazer.

E o M. ouviu-me. E acreditou. Não duvidou. Não me tentou demover. Não achou que era um devaneio de mimo. Contou-me como mudou também. Da importância dos tudos e dos nadas. E como aprendeu, lá longe, em África, que é tão fácil fazer uma pessoa feliz. Explicou-me como, quando se sente em baixo, cansado e stressado, vai ao mercado meter-se com as vendedoras. E contou-me como elas se derretem. E como basta este tão pouco dos outros para lhe dar a ele outro significado à vida.

Não esperei ouvi-lo. Sempre o soube assim - ah meu querido, não fosses tu fazer charme às vendedoras, que há coisas que nunca mudam, brinquei eu - mas não sabia que estava a falar com uma pessoa que pensa o mesmo que eu. Na mesma sintonia. Nunca duvidei que ele é das melhores pessoas que eu conheço, nem mesmo quando me roía de ciúmes por tudo e por nada.

Ele quer que eu vá conhecer o mundo dele. E eu vou. Dia 19 de Novembro,vou.

meu e só meu

Que me perdoe a noiva, mas quem vai arrasar no casamento do ano vou ser eu. Disso não tenho dúvida. Encontrei 'o' vestido. Está penduradito no meu quarto, bem à vista, para me apaixonar um bocadinho mais por ele todos os dias - como se isso fosse possível.

monday morning

I made a wish... please say yes...

domingo, 12 de setembro de 2010



Chega. Acabou. Já chorei tudo o que tinha que chorar. Faz parte. É mais uma etapa no caminho que vou fazendo. Assustou-me porque me vou exigir mudanças que não sei como fazer - mas vou fazer. O desconhecido deixa-me insegura. Nervosa. Mas faz parte. Fará sempre parte. Um dia de cada vez, como a maior lição que aprendi na vida. Mas em sete dias de tristeza e desilusão houve uma vitória imensa que me custou o mundo mas me fez andar para frente. Deitei cá para fora tudo. Tudo. Nada ficou por dizer. O que pensam de mim não me importa tanto como importou no passado. O importante era dizer, não era impressionar. E disse que sou a pessoa que me sabem e me conhecem, mas sou outra, se calhar menos forte e menos assertiva, mas mais doce e mais carinhosa. E aos poucos o tempo o dirá. Como um molde barro que só fica pronto no final, mas que é de tal forma moldável que se pode sempre começar do início quando não gostamos do resultado que vamos obtendo. Eu não estava a gostar, de mim para comigo, do resultado. Resolvi começar de novo. E amanhã é um outro dia. Novo. Nunca vou deixar de tentar e de acreditar. Uma e outra e todas as vezes que forem precisas.

casa das histórias de paula rego


Não gosto de um. Gosto de todos. Fascinam-me. As cores. As formas. A crueza das cenas. A fealdade das personagens. É incrível pensar que há uma pessoa no mundo capaz de os pintar. De forma tão genial. Absolutamente genial. A melhor retrospectiva da obra de Paula Rego vi-a em Madrid. E não uma, mas duas vezes. Duas manhãs inteiras, que ainda hoje me ficam na memória.

Ontem fui ver a retrospectiva da obra de Victor Willing, o marido falecido há muitos anos com esclerose múltipla, exposta na Casa das Histórias. As expectativas eram muitas. Não gostei. Simplesmente não faz o meu estilo. Não sou fã de naturezas mortas porque não lhes consigo encontrar profundidade nem eer nelas uma interpretação só minha. Diz a pintora que marido era um mestre e que ele sim sabia pintar. Uma declaração de amor muito bonita, mas que, me perdoe a própria, não corresponde minimamente à realidade.

domingo de manhã


Depois de um mega pequeno-almoço, nada com dolce far niente no Hotel Mirage, em Cascais.

sobre alguns silêncios


Hei-de dizer alguma coisa mas não agora. Primeiro tenho que dormir e pensar muito bem. Porque te percebo. Mas não te entendo. Podes-te enganar a ti mas não a mim. Não estás em silêncio, estás a desaparecer. Se achas que fugir te vai resolver a vida, não vai. Estás a fazer a ti própria um mal que não te apercebes. Mas depois. Agora não. Dormi pouco e não tenho a cabeça limpa para te dizer as palavras certas e poderia errar. Depois. Respeito-te mas: ou sais dessa concha onde te estás a enfiar, ou eu vou-te aí buscar. E tu sabes porquê.

palavras doces vindas dos trópicos


Já passava das 3h da manhã. Estava eu com uma neura do pior - não interessam os motivos agora - cheia de vontade de me levantar vestir e ir para casa. Com o sono que teimava em não aparecer. E as ideias em catadupa na cabeça, quando me tocou o telefone. Mensagem. MAS-OH-QUE-PORRA-PÁ! NÃO-ME-LARGAM-E-ISTO-MAIS-PARECE-UM-CALL-CENTER-DE-UMA-CASA-DE-ALTERNE! MAS-ESTA-GENTE-NÃO-DORME?! SÓ-ME-APETECE-É-DIZER-ASNEIRAS! E que número é este?! Que número?... Isto é um número internacional!... Hmm?...

"Tenho tantas saudades tuas cigana"

Oi? Espera, espera! Deixa-me ler outra vez. Assim, sem mais nada. Também não precisavas escrever. Nem assinar. Eu sei que és tu porque só tu me tratas assim. De-va-ga-ri-nho: tenho tantas saudades tuas cigana. E de repente apeteceu-me chorar. Chorar pela tua ausência. Porque sempre estiveste guardado no melhor cantinho do meu coração. Porque gosto muito de ti - e vou gostar sempre. Porque desde que o nosso namoro acabou nunca mo tinhas dito. Eu também tenho muitas saudades tuas.  Sempre tive. Mas prefiro nem pensar nisso. E disse-to. Foi tão bom dizer-to.

"Podias cá vir na última semana de Novembro. Era o ideal. Combinamos melhor quando estiver contigo... Tenho tanta coisa para te contar minha coisa boa!!"

E depois adormeci. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

a menina queeeeeeer taaaaanto! please?

O modelo Clubmaster da Ray Ban em preto e o modelo dourado da Casio!



e se eu for?

E se me meter num avião? E se for aí ter contigo como queres? Será que volto? Como será que volto? Vontade não me falta. Tenho medo M. E depois? Porque é que me dizes que estás sempre a pensar em mim? Para quê? Tu estás fechado no melhor de mim. Embora não tenha sido esse melhor que tenhas conhecido. Gostava de te mostrar o resto. Não me perguntes o que eu quero, porque a essa pergunta não quero responder. Também não sei se quero saber o que tu queres. Neste momento não sei nada. Apetece-me fazer as malas e ir. Não encontro motivos para não o fazer  - por mais que os procure. Até a minha mãe quer que vá ter contigo. Não sei. Tenho saudades de muitas coisas em ti para não ter um medo terrível de ir ter contigo. Seja de que forma for.

eu

Dicen que soy
Un libro sin argumento
Que no se si vengo o voy
Que me pierdo entre mis sueños
Dicen que soy una foto en blanco y negro
Que tengo que dormir más
Que me puede mi mal genio
Dicen que soy
Una chica normal
Con pequeñas manías que hacen desesperar
Que nos e bien
Donde esta el bien y el mal
Donde esta mi lugar
Y esta soy yo
Asustada y decidida
Una especie en extinción
Tan real como la vida
Y esta soy yo
Ahora llega mi momento
No pienso renunciar
No quiero perder el tiempo
Y esta soy yo
Y esta soy yo 
(Esta soy yo, El sueño de morfeo)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

próximos jantares

Adorei o presente! Obrigadaaaa. Ando a descobrir aos poucos que gosto de cozinhar para algumas pessoas - que também gostam que cozinhe para elas. Não tenho aspirações a ser chef nem nada que se pareça, mas gosto que se sintam bem em minha casa. Com um bom jantar, bom vinho e boa conversa. E dá-me um prazer imenso receber as mensagens do costume 'Esta semana jantamos novamente em tua casa, certo?' Claro!